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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Convicção Inabalável


Tornou Pilatos a entrar no pretório, chamou Jesus e perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus?

Respondeu Jesus: Vem de ti mesmo esta pergunta ou to disseram outros a meu respeito?

Replicou Pilatos: Porventura, sou judeu? A tua própria gente e os principais sacerdotes é que te entregaram a mim. Que fizeste?

Respondeu-lhe Jesus: O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui.

Então disse Pilatos: Logo, tu és rei? Respondeu Jesus: Tu dizes que sou rei, Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz. Perguntou-lhe Pilatos: Que é a verdade?

Tendo dito isto, voltou aos judeus e lhes disse: Eu não acho nele crime algum (Jo. 18,33-38).

As grandes oportunidades, como reconhecê-las, como perceber que estão acenando para nós, às vezes camufladas em situações que mais parecem problemas do que soluções? A história de Pilatos nos serve de exemplo vivo de que, é muito fácil estar muito perto e ao mesmo tempo, muito longe da posição que realmente deveríamos estar.

O que era o pretório? Era a residência palaciana do governador de uma província romana. No caso da que estava em Jerusalém, se tratava de uma construção imponente e majestosa, edificada no período de Herodes “o grande”.Dos sete governadores que governaram: Judéia, Samaria e Iduméia; Pilatos foi o quinto governador e por dez anos ele exerceu este cargo (26-36 d.c). Seu nome em latim significa: “armado com um dardo”. Literalmente este era o perfil de Pilatos que era apontado como homem inflexível e irrefletidamente severo. Ele não era diferente de muitos políticos dos dias atuais. Sua administração foi marcada por corrupção, violências, furtos , maus tratos para com os menos favorecidos, traições, injúrias, execuções sumárias e crueldades intermináveis. Vez por outra ele feria intencionalmente o sentimento religioso dos Judeus. O massacre registrado no evangelho de

(Lc.13,1), é mais uma prova de sua maldade. Com todos os seus defeitos e erros, Pilatos recebeu uma chance de ouro, sim, e não foi o privilégio de morar no pretório, que a despeito de ser um belo palácio, não preenchia o vazio de sua alma sedenta. Ele recebeu o privilégio de estar frente a frente com o Senhor do universo. O nosso Deus não faz acepção de pessoas. Todos têm acesso a esta graça maravilhosa, não importando o passado, a classe social, a notoriedade ou a simplicidade. A graça é para todos (Tt.2,11). “Pois a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar (Hc.2,14).

E isto pode ser visto nas manifestações da misericórdia de Deus. Por exemplo: A grande variedade de denominações compromissadas com a palavra de Deus. Existem Igrejas de todos os tipos e para todos os gostos litúrgicos, sem contudo abrirem mão da sã doutrina de Jesus.

No caso de Pilatos, ele teve a graça de estar diante do Senhor da Igreja. Diante daquele que disse: Eu sou a porta. Pilatos esteve na porta do céu e não entrou. A pessoa que não entrar no céu pela porta que é Jesus, terá entre muitas dores, a maior de todas elas; que é; a tristeza eterna de ter tido a chance e não tê-la aceitado. Certa vez Jesus disse que sem ele nós nada poderíamos fazer. Pois bem, até para ir para o inferno os homens irão precisar de Jesus, pois, para tal, é necessário não se acreditar nele. E foi basicamente isto que Pilatos fez

(Jo.18,38). Observe que Pilatos não esperou a resposta de Jesus, e tomou a atitude que é seguida como exemplo por muitos ao longo de toda a história humana. Andam errantes em busca de respostas, em busca da verdade e sentido para a sua existência. E quando surge a grande oportunidade a sua frente, simplesmente viram às costas. Quando são surpreendidos pelo sofrimento e pela derrota, ficam confundidos sem saber o porquê. Na verdade o caminho do pecador é como a escuridão. Ele tropeça e não sabe em que tropeçou (Pv. 4,19). Jesus é a luz. E todo aquele que quer brilhar abre o seu coração e o convida a entrar em sua vida e fazer morada.

O historiador Eusébio conta que Pilatos suicidou-se. Escolheu justamente o caminho mais curto para o inferno. Alguns chegam a dizer que ele passou boa parte de sua vida repetindo o gesto de lavar as mãos e dizendo: “Eu sou inocente do sangue desse homem.”

Quem saberá das lembranças que lhe vieram à mente nos seus últimos momentos de vida e quão terrível a sua visão ao transpor as fronteiras da eternidade? Em Jesus temos fartura de exemplos para vivermos uma vida de plena convicção e firmeza, coisa que Pilatos não conhecia (Jo.18,34). Ele era “teleguiado”, como diziam os jovens. Será que temos demonstrado com as nossas atitudes a nossa convicção e a fé que professamos? Que possamos dizer como Jó: Eu sei em quem tenho crido! Jesus foi categórico: O meu Reino não é deste mundo; e mais adiante: Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. todo aquele que é da verdade ouve a minha voz. Não queremos estar simplesmente seguindo a multidão (At.19,32). Deus é o maior interessado em fortalecer a nossa convicção, para que os poderosos efeitos do evangelho não sejam em nossas vidas algo muito distante, mas, parte integrante de nossa existência (1Ts. 1,5), (Hb. 11,1). Queremos ter a convicção de que Deus quer e pode revelar-se a nós e em nós para glória do seu nome(Is.66,1), (Jo.14,23). que o Senhor renove em nós o fortalecimento da convicção de que: mesmo sendo pessoas tão diferentes, em Cristo somos um, somos sacerdócio real, nação santa, povo adquirido por Deus.

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